Capturado há mais de cinco anos pelo Movimento Fundamentalista Islâmico Hamas e, desde então, mantido em cárcere privado sem contato com o mundo exterior e em condições desconhecidas, o então soldado do exército de defesa de Israel, Gilad Shalit, será libertado na manhã de 18 de outubro em uma troca que envolverá mais de mil prisioneiros palestinos, dentre eles dezenas que cumpriam pena de prisão perpétua em prisões israelenses por terem participado ou organizado atentados terroristas que deixaram dezenas de cidadãos israelenses mortos e feridos.
É de se imaginar o grau do debate no interior da sociedade israelense (se dois israelen-ses discutirem um tema, pelo menos três opiniões serão formadas) sobre a troca de um soldado por mais de mil prisioneiros, sendo diversos deles terroristas. Quando o anúncio sobre o acordo entre Israel e Hamas foi feito, imediatamente vozes surgiram denunciando o acordado. Membros de famílias que perderam entes queridos em atentados se posi-cionaram contra e entraram com processos no Supremo Tribunal de Justiça para evitar a troca.
Mas o que mais me chama a atenção nesse debate, mais uma vez, é sobre os fundamentos do Estado de Israel. Para judeus que nasceram e viveram na diáspora, geralmente, é construída a imagem de que, em Israel, a solidariedade entre o povo judeu é sempre presente. Imigrantes sempre são ajudados e todos tentam se ajudar pela construção do Estado Judeu. Onde todo integrante do povo é tido como parte fundamental do debate, sendo sua vida e sua decisão de fazer Aliá (expressão usada quando um judeu imigra para Israel) é mais importante do que qualquer outra coisa.
Imagina-se que está diretamente conectado à “israelidade” a solidariedade e a construção de um Estado diferenciado, para todos e por todos. Essa “israelidade” também está baseada em elementos históricos e culturais do povo judeu, onde a vida e o respeito estão em primeiro plano. E quando leio argumentos contra o retorno de Shalit penso nessa “israelidade”.
Entendo e compreendo quando me acusarem de estar escrevendo isso por não ter perdido parentes em atentados terroristas, mas como judeu, perdi sim. Perdemos judeus em atos bárbaros e seria mais bárbaro ainda deixar Gilad nas mãos do Hamas por mais um dia.
Gilad é um soldado de Israel. Jovem que dedicaria três anos de sua vida ao Estado de Israel e que no final das contas dedicou sete anos. Seu retorno a Israel é uma vitória da “israelidade” romântica, da vida e da cultura judaica pela vida e pelo amor. Seja bem vindo, Sargento Gilad Shalit. Desculpe-nos por tamanha demora, seja bem vindo à sua casa, seja bem vindo a Israel.