O dia 15 de maio é um dia de luta e resistência para o povo palestino. Pelo calendário romano, é o dia em que Israel declarou sua independência com o fim do mandato britânico na Palestina. O Nakba – que, em Árabe, significa tragédia – como é chamado pelos palestinos, pode ser encarado de várias formas e representar diversas formas de pensamento e, mesmo sem a criação do Estado de Israel, ele poderia ter acontecido.
Para boa parte do povo palestino, o Nakba representa um dia de luta contra a ocupação israelense nos territórios palestinos desde 1967, que vem assolando suas vidas, não respeitando seus direitos, sua liberdade. Querem o fim da ocupação e viver em seu Estado, lado a lado com Israel.
Outra parcela da população palestina tem uma visão diferente e sua política é pela destruição do Estado de Israel e a reconstrução da Palestina Histórica.
Em Israel, a celebração do Nakba representa um absurdo para parte da população. Eu os entendo, mas não concordo, principalmente porque eles não se propõem a entender o que o outro lado, que está comemorando o Nakba, pensa. E não acho um absurdo a celebração do Nakba, justamente por entender o que a partilha do seu território representou para o povo palestino.
Em meados do século XX, os judeus são perseguidos por toda a Europa e buscam, na construção do seu lar nacional, a sua segurança. Os palestinos, que nunca tiveram seu Estado, alheios à desgraça ocorrida aos judeus, não querem a divisão do seu território. Querem que, com o fim do mandato britânico, a Palestina seja território independente e não seja partilhado para a criação de um Estado para o povo judeu.
No livro Israel and Palestine de Avi Shlaim, ele resume bem o pensamento sobre o tema e penso que o entendimento disso é a chave para se entender os próximos passos para a resolução do conflito:
“The first debate is about 1948. I believe that the creation of the State of Israel involved a terrible injustice to the Palestinians. But I fully accept the legitimacy of the State of Israel within its pre-1967 borders. My critics claim that these two statements are contradictory, that a state based on injustice cannot be legitimate. My reply is as follows. As a result of the creation of Israel, the Palestinians suffered dispossession and dispersal. Over 700,000 Palestinians, roughly half of the indigenous Arab population, became refugees. The name Palestine was ripped of the map. This outcome of the war constituted not merely an injustice but a profound national trauma, a catastrophe or al-Nakba, as it is called in Arabic.
But the Jews also suffered an injustice, perhaps the greatest injustice of the twentieth century – the Holocaust. The Jews are a people and, like any other people, they have a natural right to national self-determination. In the aftermath of the Second World War, the moral case for a Jewish state became unassailable. In the circumstances of 1948, after the hideous suffering inflicted on the Jews of Europe by Nazi Germany, it was an inescapable fact that something on a titanic scale had to be done for them and there was nothing titanic enough except Palestine. This was the background to the UN resolution of 29 November 1947 for the partition of Palestine into two states, one Jewish and one Arab”. (Shlaim, Avi. Israel and Palestine. London, Verso. 2009)
Tradução:
“O primeiro debate é sobre 1948. Eu acredito que a criação do Estado de Israel envolveu uma terrível injustiça aos palestinos. Mas eu aceito totalmente a legitimidade do Estado de Israel com suas fronteiras pre-1967. Meus críticos dizem que essas duas afirmações são contraditórias, que um estado baseado na injustiça na pode ser legítimo. Minha resposta é a seguinte: como resultado da criação de Israel, os palestinos sofreram desapropriações e expulsões. Mais de 700 mil palestinos, cerca de metade da população árabe local, tornaram-se refugiados. O nome Palestina foi riscado do mapa. Esse resultado da guerra constituiu não somente uma injustiça, mas um trauma nacional profundo, uma catástrofe ou al-Nakba, como é chamado em árabe”.
Mas também os judeus sofreram uma grande injustiça, talvez a maior injustiça do século XX – o holocausto. Os judeus são um povo e, como qualquer outro povo, tem o direito natural a autodeterminação nacional. No final da Segunda Guerra Mundial, a questão moral do Estado Judeu se tornou inquestionável. Em 1948, depois do tremendo sofrimento causado aos judeus europeus pela Alemanha nazista, era indiscutível o fato de que algo enorme (titânico) deveria ser feito para os judeus e nada era tão enorme quanto a Palestina. Esse era o pano de fundo a época da resolução da ONU de 29 de novembro de 1947 pela partilha da palestina em dois estados, um judeu e outro árabe. (Shlaim, Avi. Israel and Palestine. Verso. London, 2009).
Tradução:
“O primeiro debate é sobre 1948. Eu acredito que a criação do Estado de Israel envolveu uma terrível injustiça aos palestinos. Mas eu aceito totalmente a legitimidade do Estado de Israel com suas fronteiras pre-1967. Meus críticos dizem que essas duas afirmações são contraditórias, que um estado baseado na injustiça na pode ser legítimo. Minha resposta é a seguinte: como resultado da criação de Israel, os palestinos sofreram desapropriações e expulsões. Mais de 700 mil palestinos, cerca de metade da população árabe local, tornaram-se refugiados. O nome Palestina foi riscado do mapa. Esse resultado da guerra constituiu não somente uma injustiça, mas um trauma nacional profundo, uma catástrofe ou al-Nakba, como é chamado em árabe”.
Mas também os judeus sofreram uma grande injustiça, talvez a maior injustiça do século XX – o holocausto. Os judeus são um povo e, como qualquer outro povo, tem o direito natural a autodeterminação nacional. No final da Segunda Guerra Mundial, a questão moral do Estado Judeu se tornou inquestionável. Em 1948, depois do tremendo sofrimento causado aos judeus europeus pela Alemanha nazista, era indiscutível o fato de que algo enorme (titânico) deveria ser feito para os judeus e nada era tão enorme quanto a Palestina. Esse era o pano de fundo a época da resolução da ONU de 29 de novembro de 1947 pela partilha da palestina em dois estados, um judeu e outro árabe. (Shlaim, Avi. Israel and Palestine. Verso. London, 2009).
Entender a necessidade de ambos os povos por seu Estado e tudo que ambos sofreram em sua história recente é de fundamental importância para a construção de processos de paz fortes.
O Nakba desse ano veio junto com os gritos de liberdade de povos oprimidos pela região e ventos por direitos, respeito e tolerância possam celebrar o fim da catástrofe Palestina, que se arrasta com a ocupação de seu território por 63 anos: de 1948 até 1967 pela Jordânia e pelo Egito e partir de 1967, por Israel.